Sertão Sem Fim

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Tertulina Alves, atriz e idealizadora da peça Sertão Sem Fim. Henrique Fontes, dramaturgo, diretor, ator e gestor cultural natural de Manaus/AM e radicado em Natal/RN, onde construiu sua carreira no teatro desde 1989. Integrante do Grupo Carmin e sócio-fundador do espaço cultural Casa da Ribeira, Henrique tem 21 peças escritas e ganhou os Prêmios Shell, APTR, Botequim Cultural e do Humor em dramaturgia, todos no ano de 2019, pela peça A Invenção do Nordeste. FOTOS/ Keiny Andrade

Sertão Sem Fim fez temporada presencial em fevereiro de 2021, num período em que a pandemia estava em números menores de contágio e óbitos diários. Na sequência, o Estado mudou de fase e os teatros fecharam novamente.

A verba arrecadada com estas sessões do Teatro Sérgio Cardoso foi direcionada para a ONG Casa de Isabel, que é um centro de apoio à mulher, à criança e ao adolescente vítimas de violência doméstica e em situação de risco, localizado na zona leste da capital, no bairro Itaim Paulista.

Neste contexto, Sertão Sem Fim agora volta-se para o online e faz nova temporada do espetáculo que tem à frente a atriz Tertulina Alves.
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Em 2018, a atriz Tertulina Alves retornou à Macaúbas, interior da Bahia, onde passou parte de sua infância, para colher diálogos com mulheres da região que foram unidos à história da própria Tertulina e se transformaram na peça Sertão Sem Fim.

Em cena, Tertulina interpreta Bastia, personagem que traz em seu corpo essas diferentes formas de se viver o sertão.

As mulheres mais presentes na construção da personagem são a avó de Tertulina, Maria Tertulina, que nasceu no sertão Bahia, na região de Três Outeiros de Macaúbas e migrou para São Paulo; Maria Izabel, moradora da comunidade de Três Outeiros de Macaúbas e conhecida até hoje, com mais de 80 anos, como a Rainha das Cavalgadas; e da própria Tertulina Alves, cuja infância no sertão foi marcada por um período de forte seca.

A história de Bastia é marcada por uma imensa tragédia pessoal: seu marido, o vaqueiro Dão Sálvio, foi covardemente assassinado por fazendeiros da região.

O motivo da morte de Dão Sálvio era a prosperidade do casal, que trabalhou duramente durante o período de estiagem e conseguiu adquirir um rebanho de sessenta cabeças de gado. Montada em um cavalo, ela percorre a cidade com o corpo morto do marido, em busca de justiça.

“No Sudeste ainda há um imaginário sobre o sertão que o remete quase sempre à seca. Em Sertão Sem Fim buscamos pensar em outras possibilidades de retratar esse espaço.

A Maria Izabel, por exemplo, é uma mulher que foi arrimo de família desde os 10 anos, tendo de trabalhar longe de casa, em espaços onde chovia com mais frequência, para que pudesse trazer sustento para a família”, conta a atriz.

Além da temporada, também está confirmada uma live pelo Instagram @projetosertaosemfim no dia 31 de março, quarta-feira, 20h, com Tertulina Alves e Henrique Fontes, dramaturgo, diretor, ator e gestor cultural natural de Manaus/AM e radicado em Natal/RN, onde construiu sua carreira no teatro desde 1989. Integrante do Grupo Carmin e sócio-fundador do espaço cultural Casa da Ribeira, Henrique tem 21 peças escritas e ganhou os Prêmios Shell, APTR, Botequim Cultural e do Humor em dramaturgia, todos no ano de 2019, pela peça A Invenção do Nordeste. O tema do encontro será o questionamento “Sertão, terra dos fortes?”.

SERVIÇO
Sertão sem Fim
De 2 a 11 de abril de 2021. Sextas-feiras, sábados e domingos, 21h
Grátis | Exibição pelo canal do Youtube /movicenaproducoes
Duração: 60 min. | Classificação: Livre

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