Tom Zé o Punk Tropicalista?

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Depois de "ressuscitado" na década de 90 com a ajuda de David Byrne, Tom Zé já estudou o samba, o pagode, a bossa nova e agora parece disposto a compreender o Tropicalismo que ele mesmo ajudou a criar.

David Byrne, ex-Talking Heads:“ Que país é esse, que tem um artista assim e que tão poucos Conhecem?” 

Nascido em 11 de outubro de 1936 em Irará/Bahia numa família de classe média, economicamente favorecida quando seu pai, comerciante de Irará, tirou a “sorte grande” da loteria federal, Tom Zé passou a infância em sua cidade, no Recôncavo baiano.

Menciona que sua infância foi vivida na Idade Média nua e crua, representada, naquele mundão perdido de tudo, por relações familiares e religiosas medievais, complementadas pela situação pré-gutenberguiana na qual o alfabeto fonético inventado pelos fenícios não era conhecido nem praticado – exceto por raras famílias.

Era uma vida cultural forte, musical, intensa, para aqueles analfabetos que amavam a cultura dos avós e viviam praticando-a em termos próprios – conforme Euclides da Cunha (“Os Sertões”).

1950
Em Salvador, no curso secundário, se interessou por música e cursou por seis anos a Universidade de Música da Bahia, depois de ter passado em primeiro lugar no vestibular. Essa escola excepcional contava com professores como Ernst Widmer, Walter Smetak e Hans Joachim Koellreutter.
1960
Ainda em Salvador, participou do espetáculo “Nós, Por Exemplo”, no Teatro Castro Alves. Já em São Paulo, participa de “Arena Canta Bahia”, musical dirigido por Augusto Boal, e da gravação do disco definidor do Tropicalismo, “Tropicália ou Panis et Circensis”, em 1968.
No mesmo ano leva o primeiro lugar no IV Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, com a canção “São São Paulo, Meu Amor”. Grava seu primeiro disco, “Tom Zé – Grande Liquidação”, que tematiza a vida urbana brasileira em música e texto renovadores.
1970
Em 1973 lança “Todos os Olhos”, cuja ousadia, só assimilada por crítica e público muito tempo depois, o afastou dos meios de comunicação “mas me fez escutado pelos melhores ouvidos do País” – diz o artista. Lança o disco “Estudando o Samba” em 1976, recebido então com certa perplexidade, por sua ousadia formal.
1980:
Casualmente no final dos anos 80 o disco “Estudando o Samba” foi ouvido pelo multiartista David Byrne, ex-Talking Heads, que perguntou por telefone a Arto Lindsay: “- Que país é esse, que tem um artista assim e que tão poucos conhecem?” e lançou sua obra nos Estados Unidos, com total sucesso de crítica e público.
1990
A compilação ‘The Best of Tom Zé”, da gravadora de Byrne, foi o único álbum brasileiro a figurar entre os dez discos mais importantes da década nos E.U.A. Tom Zé passou a ser mais ouvido no Brasil e seu extraordinário desempenho no palco repercutiu no País e nas turnês européias e americanas. Em Londres por exemplo, no Barbican Festival, foi o sucesso de público do festival que contou com Stockhausen, Werner Herzog e Enio Morricone.
Recebeu o Prêmio de Criatividade concedido pelos compositores do festival Composer to Composer, em Telluride, E.U.A., 1990.
Compôs “Parabelo” para o Grupo Corpo, com José Miguel Wisnik em 1997.
2000
É tema de três documentários, premiados:
Tom Zé, ou Quem Irá Colocar Uma Dinamite na Cabeça do Século?”, por Carla Gallo (2000); “Fabricando Tom Zé”, por Décio Matos Júnior (2006);
“Tom Zé – Astronauta Libertado”, por Igor Iglesias, cineasta espanhol (2009). Compôs “Santagustin” para o Grupo Corpo (2002).
Prêmio Shell pelo conjunto da obra – 2003.
Artista do Ano – Revista Bravo, 2006.
Escreveu os livros
“Tropicalista Lenta Luta” (Publifolha, 2003),
“Ilha Deserta – Discos” (Publifolha – 2003),
“Cidades do Brasil – Salvador” (Publifolha, 2006).
2010
Lançou em 2010 pela Biscoito Fino, o CD e DVD “O Pirulito da Ciência”, com produção de Charles Gavin.
O disco “Todos os Olhos” foi relançado em vinil no mesmo ano. Em outubro, a Luaka Bop lançou, nos EUA a antologia/box em vinil, intitulada “Studies of Tom Zé – Explaining Things So I Can Confuse You (Tô te explicando pra te confundir).”
No dia 7 de dezembro, no Palácio dos Bandeirantes, o Governo do Estado de São Paulo concede a Tom Zé o “Prêmio Governador do Estado – Destaque em Música no ano de 2010”. Em 2013 lança “Tribunal do Feicebuqui”, em formato digital para download, lançado em vinil compacto duplo no mesmo ano.
Serviço:
Tom Zé e Banda
Dias: 05, 6 as 21:H e 7/01 as 18:H
Local: SESC Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000
Quer Saber Mais ? (Acesse…AQUI)