A Cena Teatral que Ecoa das Periferias

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Bando de Teatro Olodum (BA)Além das palavras encenadas, a música e a dança são características marcantes das apresentações do grupo, principalmente após a incorporação do diretor de movimento Zebrinha, em 1993, e do diretor musical Jarbas Bittencourt, em 1996.

Cátedra Olavo Setúbal promove encontro sobre a cena teatral das periferias brasileiras

A cena teatral das periferias do Brasil será tema do terceiro encontro do ciclo Centralidades Periféricas, organizado pela Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência, uma parceria entre o IEA e o Itaú Cultural.

No dia 22 de outubro, às 14h, no IEA, representantes de quatro coletivos teatrais de São Paulo, Bahia e Rio Grande do Norte, além de uma pesquisadora da área, discutirão o papel desta expressão artística nos grandes centros urbanos. A mediação será de Eliana Sousa Silva, titular da cátedra em 2018.

A Participação requer Inscrição (Acesse…AQUI)

A participação presencial requer inscrição. Haverá transmissão ao vivo pelo site do IEA, para a qual não é necessário se inscrever.

Cena da peça "O Encantamento da Rebeca", do grupo Buraco d'Oráculo
Cena da peça “O Encantamento da Rebeca”, do grupo Buraco d’Oráculo

Os expositores serão os atores Cell Dantas, do Bando de Teatro Olodum, Bahia; Edson Paulo, do Buraco d’Oráculo, São Paulo; Fernando Yamamoto, do Clowns de Shakespeare, Rio Grande do Norte; Adriano Mauriz, do Pombas Urbanas, São Paulo; e a pesquisadora Carolina de Camargo Abreu, do Núcleo de Antropologia, Performance e Drama (Napedra) da USP.

Para Carolina, o teatro ajuda a educar e formar cidadãos de forma lúdica. “Engaja corpo, imaginação e pensamento crítico numa pedagogia que se realiza por encontros. Teatro não é exercício apenas intelectual, como o da escola com fileiras de carteiras”, avalia. Ela explica que, nas periferias — carentes de equipamentos públicos e eventos –, o teatro é o exercício de outros mundos possíveis. “Abre arena que desloca o centro, instaura a possibilidade de centralidades que não seja a do poder, do dinheiro, do trabalho, mas do conhecimento dos viajantes, da sabedoria do antigo, da comunidade de pertencimento, do riso subversivo”, diz.

Mauriz, do Pombas Urbanas, conta que, desde o início do coletivo, ele se viu envolvido em um processo de formação em que cada um tinha que reconhecer capacidades e potencialidades e olhar o mundo com senso crítico. Segundo ele, o criador do grupo, o diretor peruano Lino Rojas, sempre priorizou formar uma linguagem de teatro popular. “A questão da rua era muito forte, assim como o encontro público com outros moradores do nosso território. Era importante levar temas que tivessem a ver com as nossas inquietudes como cidadãos e promover esse encontro e diálogo”, conta.

O ator relembra a dificuldade que o grupo teve de se inserir na cidade. “Como um grupo de jovens da periferia, sem ter passado por uma escola, pode entrar na cena teatral querendo se profissionalizar?”, era o que ouviam à época, diz Mauriz. Apesar da dificuldade, o coletivo conquistou espaço nos teatros do centro, mas, após certo período, decidiu voltar às origens e construir o Centro Cultural Arte em Construção, em Cidade Tiradentes. “Lá, começamos esse trabalho de multiplicação da nossa experiência, sempre pensando no jovem como protagonista”.

O ciclo Centralidades Periféricas já promoveu discussões sobre a literatura produzida nas periferias e, mais recentemente, sobre arte urbana. A ideia é aproximar a universidade das periferias, por meio do diálogo entre seus moradores e docentes, técnicos, artistas, intelectuais e ativistas.
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